Nasalização vocálica no Português urbano de São Tomé e Príncipe

  • Gabriel Antunes de Araujo University of Macau
  • Amanda Macedo Balduino Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Português de Príncipe, Português de São Tomé, Nasalização

Resumo

Este artigo examina comparativamente a nasalidade vocálica em duas variedades de português faladas em São Tomé e Príncipe: o português santomense (PST) e o português principense (PP). Pautados na análise da duração e dos formantes dos segmentos nasais (ṽN), nasalizados (ṽ.N) e orais (V), observamos dois processos de nasalização distintos nessas variedades: a nasalidade vocálica tautossilábica, engatilhada por uma coda nasal, e a nasalidade vocálica heterossilábica, promovida por um onset nasal. Ambos os processos decorrem do espraiamento regressivo do traço [+nasal] para V, porém, enquanto a nasalidade tautossilábica é obrigatória, distingue significado e ocasiona o apagamento da consoante nasal em coda, resultando na duração alongada de ṽN em relação à V (48% para o PST e 60% para o PP), a nasalidade heterossilábica não ocorreu em pretônicas, é opcional em tônicas e mantém a consoante nasal em onset, refletindo, consequentemente, na duração de ṽ.N, a qual é equivalente à V.

Publicado
2019-12-16
Como Citar
Antunes de Araujo, G., & Macedo Balduino, A. (2019). Nasalização vocálica no Português urbano de São Tomé e Príncipe. Diacrítica, 33(2), 41-68. https://doi.org/10.21814/diacritica.256
Secção
Linguística Experimental e Variedades do Português