A dualidade artística do compositor-intérprete

  • Ricardo Iván Barceló Abeijón CEHUM
Palavras-chave: compositor; intérprete; guitarrista; música; performance; arte

Resumo

A obra de arte vive apenas nas interpretações que dela são feitas, um facto que ganha maior dimensão no caso da música e outras artes performativas, sendo essas interpretações infinitas perante a uma infinidade de personalidades interpretantes. A interpretação supostamente exige fidelidade ao significado da obra, mas a obra também deixa uma margem de liberdade, inevitavelmente, para a visão do intérprete. Composição e performance musical implicam interação com uma realidade física que impõe limitações, perante às quais as personalidades dos artistas tomarão diferentes decisões para superar os obstáculos, revelando um estilo, que deixará transparecer, de certa forma, o espírito da pessoa. Consideramos que na situação especial do compositor-intérprete, ou seja, o compositor que compõe uma peça que o próprio executa, o artista passa pelo diálogo com a matéria mais de uma vez, lidando com a realidade física, primeiro durante a composição e depois na performance, comunicando dessa forma a obra e a sua maneira de ver a obra ao mesmo tempo. Neste caso não há duas personalidades intervindo na mesma obra, mas uma única pessoa em diferentes situações e lapsos temporais, a interagir com a forma em distintos aspetos, representando um desafio pouco divulgado, que analisamos neste artigo.

Publicado
2019-11-19
Como Citar
Barceló Abeijón, R. (2019). A dualidade artística do compositor-intérprete. Diacrítica, 33(1), 64-76. https://doi.org/10.21814/diacritica.300
Secção
What is artistic research?: Presuppositions, Practices and Problematizations