O Bobo, o Bardo, o Sábio (na Máquina)

Investigação Criativa Ciberliterária

  • Diogo Marques Universidade Fernando Pessoa

Resumo

Em 1964, Arthur Koestler, publicava The Act of Creation, no qual avançava uma teoria geral da criatividade, afirmando que todas as atividades criativas, conscientes ou inconscientes, da originalidade artística à descoberta científica e inspiração cómica compartilham o mesmo padrão primordial, “pensamento bisociativo”. Para Koestler, todo o ato criativo é uma “bissociação” de pelo menos duas estruturas de pensamento aparentemente díspares, postulado que faz assentar numa alegoria tripartida da criatividade humana, assente nas figuras do Bobo, do Sábio e do Poeta.

Publicado no ano de falecimento de Norbert Wiener, uma das razões que levou Koestler a escrever sobre criatividade ter-se-á prendido com a tendência dominante na academia, nos cinquenta anos que antecederam o seu volume, nomeadamente, na psicologia académica, com uma tendência para a redução do ser humano ao status de autómato condicionado. O que aprendeu a academia entretanto?

Com a evolução da tecnologia digital tornou-se cada vez mais difícil não prestarmos atenção às influências geradas nos processos de fertilização cruzada entre diferentes campos. Pelo meio, o ideal do artista, ou do cientista/investigador, na sua torre de marfim vai ganhando contornos de paradigma obsoleto. Não será, então, tempo de reavaliar a criatividade à luz de tais “maquimanipulações” entre humanos e máquinas?

Publicado
2019-11-19
Como Citar
Marques, D. (2019). O Bobo, o Bardo, o Sábio (na Máquina). Diacrítica, 33(1), 20-41. https://doi.org/10.21814/diacritica.308
Secção
What is artistic research?: Presuppositions, Practices and Problematizations