MIGRAÇÕES, FRONTEIRAS POLÍTICAS E MUNDO DIGITAL

FORMAS DE (IN)VISIBILIDADE E ESTRATÉGIAS DISRUPTIVAS NO ATIVISMO LITERÁRIO E ARTÍSTICO

  • Paulo Silva Pereira Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas / Centro de Literatura Portuguesa / Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra, Portugal.

Resumo

Muitos estudos têm abordado a questão da migração e do desenraizamento, um dos
principais desafios geopolíticos do nosso tempo, mas são em menor número os que
levaram a cabo essa análise com base num quadro interdisciplinar e selecionando
práticas literárias e artísticas de contexto transnacional. O objetivo deste artigo é descrever o modo como os artistas usam a especificidade do meio e do mecanismo
nos seus projetos para refletir sobre a atual crise migratória e a migração forçada,
criticar as estratégias securitárias ou a política de imigração nos últimos anos, ou
explorar um uso tático de tecnologias para alargar a consciência pública e o debate
político. Foca em especial os processos migratórios mexicanos com destino aos
Estados Unidos e sua conexão com o imaginário político complexo dessas regiões
e a relação entre identidade e marginalização, particularmente a influência da conceptualização
dos migrantes como o Outro na sociedade europeia contemporânea.
Partindo de vários estudos de caso – tanto do ponto de vista teórico, quanto artístico
–, esta pesquisa pretende compreender como esses projetos exploram formas
de intervenção crítica, dissensão ou disrupção de um regime semiótico dominante
ao estimular o pensamento crítico sobre narrativas consolidadas e sistemas sígnicos
de identidade e diferença.

Publicado
2019-05-28
Como Citar
Pereira, P. (2019). MIGRAÇÕES, FRONTEIRAS POLÍTICAS E MUNDO DIGITAL. Diacrítica, 31(3), 57-89. https://doi.org/10.21814/diacritica.388