NOMEANDO AS PESSOAS DESLOCADAS:

NOVOS PADRÕES NO DISCURSO MEDIÁTICO? UMA ANÁLISE DO DISCURSO EM LE MONDE E LE FIGARO

  • Laura Calabrese Université libre de Bruxelles, Belgique.
  • Valériane Mistiaen Université libre de Bruxelles, Belgique.

Resumo

A crise dos migrantes, massivamente abordada pela comunicação social, encontra-
-se no centro de numerosas controversas entra as quais a discussão encetada pelo
canal Al Jazeera a propósito do uso dos termos migrante e refugiado durante o verão
2015. Tomando como exemplo os termos usados para designar as pessoas em deslocação,
esta investigação procura saber se a referida discussão teve um impacto
permanente sobre as práticas de escrita jornalística. Para responder a esta pergunta, Le Figaro, segundo as perspectivas da análise do discurso e da linguística de corpus.
Os resultados demonstram, por um lado, uma transformação visível depois da
discussão (nota-se uma maior frequência da utilização da palavra refugiado, mas
também um uso legal adequado do termo). Por outro lado, a análise de corpus
revela que a palavra migrante continua a ser usada pelos jornalistas, a pesar das
conotações negativas denunciadas por Al Jazeera, por vezes em situação de sinonímia.
A conclusão do artigo apresenta hipóteses sobre o futuro destes termos, especializados
na designação das pessoas em deslocação, cuja significação vai continuar
a desenvolver-se em função dos referentes e dos acontecimentos históricos.
analisaremos um corpus de artigos de jornais franceses de referências, Le Monde e

Publicado
2019-05-28
Como Citar
Calabrese, L., & Mistiaen, V. (2019). NOMEANDO AS PESSOAS DESLOCADAS:. Diacrítica, 31(3), 211-235. https://doi.org/10.21814/diacritica.394