Resiliência criativa no feminino e re-significação da história em contraponto com a ‘manipulação de género’ do Estado Novo

  • Ana Gabriela Macedo Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH), Centro de Estudos Humanísticos (CEHUM) / Universidade do Minho, Braga. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7823-0613
Palavras-chave: Mulheres, Estado Novo, Resiliência, Re-significação da História

Resumo

Este ensaio é composto por duas secções que dialogam entre si e se iluminam reciprocamente. Discute-se em primeiro lugar a imagem icónica de Salazar enquanto “salvador moral da pátria’, incarnando a figura do ‘Desejado’, tal como construída e amplamente disseminada pela ideologia do Estado Novo, tendo António Ferro como seu principal mentor e ideólogo cultural. Discute-se de seguida o modo como o ‘discurso da domesticidade’, profundamente ancorado numa dupla premissa – a manipulação de género e a cumplicidade das mulheres – se constituiu como uma ideologia fundamental de sustentação do Estado Novo. Na segunda parte deste ensaio apresentamos um estudo de caso, a obra da pintora Paula Rego criada ao longo dos anos 1960 e 1970, a qual, com acutilância satírica e política, desconstrói, expõe e confronta essa mesma ideologia do poder instituído.

Publicado
2020-07-31
Como Citar
Macedo, A. (2020). Resiliência criativa no feminino e re-significação da história em contraponto com a ‘manipulação de género’ do Estado Novo. Diacrítica, 34(2), 77-91. https://doi.org/10.21814/diacritica.564