A polifuncionalidade de 'mesmo' no PEC

  • Ana Cristina Macário Lopes CELGA-ILTEC/ FLUC

Resumo

Este artigo visa contribuir para um conhecimento mais aprofundado do comportamento sintático, semântico e pragmático de mesmo no português europeu contemporâneo. Assume-se à partida que as categorias gramaticais são fluidas, havendo deslizamentos intercategoriais regulares quando se atenta no plano do uso das línguas naturais. Assume-se ainda que os significados de um item lexical polifuncional se interligam por ‘parecenças de família’, com zonas parciais de sobreposição ou de imbricação. Assim, partindo da análise de ocorrências recolhidas no CETEMPúblico, verificou-se que o item mesmo pode funcionar como adjetivo, como advérbio e ainda como conector interoracional, sendo relevante a distribuição sintática para a sua caracterização categorial e semântico-pragmática. Como adjetivo, salienta-se o seu comportamento atípico e analisam-se os seus usos de dependência externa e interna; como advérbio, caracterizam-se dois usos distintos, o uso como advérbio focalizador inclusivo e o uso como advérbio intensificador da força ilocutória do enunciado; finalmente, descreve-se o contributo do item entretanto gramaticalizado como conector para a semântica das construções concessivas. O artigo termina com uma tentativa de interligação dos diferentes valores elencados.

Publicado
2018-11-27
Como Citar
Lopes, A. C. (2018). A polifuncionalidade de ’mesmo’ no PEC. Diacrítica, 32(1), 43-67. https://doi.org/https://doi.org/10.21814/diacritica.93
Secção
Argumentação e Discursos